O Abandono Afetivo

Você sabe o que é Abandono Afetivo?

Bem, o abandono afetivo é a omissão de cuidado, de criação, educação, de assistência física, psíquica, moral e social que os pais e responsáveis devem aos filhos, principalmente quando estes são crianças e adolescentes.

E você saberia dizer quando ele acontece? O abandono afetivo ocorre quando há um comportamento omisso, contraditório ou de ausência de quem deveria exercer a função afetiva na vida da criança ou do adolescente.

Essa assistência vai muito além do auxílio financeiro, trata-se de auxílio físico, social, psicológico e educacional. Quando existe ausência desses cuidados e comportamentos, estamos diante de um abandono afetivo.

A Constituição Federal prevê em seu art. 227 que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Estudos na área do desenvolvimento psicossocial enfatizam o desenvolvimento humano desde o nascimento até o fim da vida, avaliando a influência mútua do indivíduo com o seu meio afetivo, social, cultural e histórico. Com um olhar mais direcionado às crianças, o processamento daquilo que vivenciam também está em desenvolvimento, portanto, a partir do tratamento e dos comportamentos que são observados de seus cuidadores, elas podem assumir culpas que não possuem, se responsabilizar por atitudes dos cuidadores, compreender abandonos e se sentirem desprotegidas aos pequenos sinais de conflito, hostilidade e ausência. Diante disso podemos verificar que o abandono afetivo parental pode afetar o indivíduo em suas relações psicossociais gerando o amadurecimento de homens e mulheres inseguros, com carências emocionais e com déficits em habilidades sociais.

Embora não seja possível obrigar uma pessoa a amar e dar carinho a outra, também não é possível quantificar a falta que o afeto dos pais gera na vida de uma pessoa. Por esse motivo o governo busca através da lei Lei nº 13.058, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2014 e do art. 186 do Código Civil, a obrigatoriedade de ambos os pais no processo do cuidado e da atenção ao crescimento dos filhos, mesmo separados. Todavia, apenas falar do que se trata o abandono afetivo e quais as penalidades para quem o comete, não seria suficiente para a mudança, garantindo o respeito ao crescimento dos filhos e a proteção de relações afetivas e familiares mais favoráveis. Portanto, para falar sobre o que fazer e quais atitudes podem ser tomadas para seguir um caminho diferente na criação dos filhos, a responsabilidade afetiva surge com o intuito de criar um canal de comunicação e convívio afetivo possível. A criação dos filhos pode ter grandes custos emocionais, materiais e morais, quando a criança não recebe os cuidados que precisa para se desenvolver de maneira saudável.

Portanto, é importante refletir também sobre como nós, pais e responsáveis, estabelecemos nossos vínculos e nossa confiança, pois muitas vezes o que percebemos é que não nos foi ensinado sobre honestidade afetiva e confiança nas nossas relações.

  • Exercitar empatia é um bom termômetro para saber se estamos colocando a responsabilidade afetiva em prática, agindo com zelo e cuidado em nossas relações, preservando o outro e nós mesmos de algum sofrimento motivado pelo envolvimento afetivo criado.
  • A transparência em uma relação entre pais e filhos deve ser alimentada desde sempre, afinal, é importante que seu filho confie em você, não como alguém perfeito, mas como alguém que apesar de também cometer erros, é capaz de cumprir sua função como cuidador na vida do seu filho.

Por isso, é importante que haja um esforço para que a relação esteja bem definida em suas condições, desejos, expectativas, disponibilidades. Isso ajuda a situar e delimitar até onde cada um pode ir, ou seja, quais são os limites dos filhos, e sim, dos pais também.

Preste atenção em suas próprias condutas, prevendo o que do seu comportamento pode repercutir no outro, evitando mágoas e ressentimentos. Saber como colocar suas expectativas e sua disposição é uma maneira de construir não apenas uma relação de responsabilidade com seu filho, mas também de ensiná-lo como ele deve fazer isso com suas próprias relações.

Se o abandono afetivo causa danos muitas vezes irreparáveis, a responsabilidade afetiva tem consequências imensuráveis, favorecendo o respeito pelas emoções das pessoas com quem nos relacionamos e para os nossos próprios sentimentos. Dessa forma, podemos caminhar não em direção oposta a criação dos filhos, mas ao lado deles e das mudanças que desejamos em nossas relações com eles futuramente.

Autor: Ruan Borges. Psicólogo, pesquisador e palestrante nas áreas de estudos relacionados a gênero e masculinidades. Instagram: @ruanborges.psi

9 comentários para “O Abandono Afetivo

  1. Texto muito esclarecedor,!!!!
    Parabéns Ruan pelo profissional exemplar, mas acima de tudo pelo ser humano lindo q vc é e transmite através dos seus textos, que prende e nos dá informaçoes.
    Obrigada .

  2. Show! Parabéns Ruan! Fico muito orgulhosa e extremamente feliz de ver como você vem crescendo profissionalmente, de como tem se dedicado na área da psicologia. Tenho certeza absoluta que irás alcançar voos mais altos, mas sem tirar os pés do chão e o foco em ajudar as pessoas a terem uma vida melhor.
    Beijos no coração

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